As mudanças aprovadas pela diretoria colegiada da ANEEL na estrutura tarifária do país, há muito esperado pelos agentes do setor, procuram refletir melhor o regime regulatório brasileiro e poderão ajudar o consumidor residencial disciplinado a reduzir o valor pago pela energia elétrica.
As mudanças propostas poderão sim ser úteis para uma provável redução no valor pago pela energia, porém, não podemos nos ludibriar esperando percentuais significativos apenas por essa nova estrutura tarifária. Explico: a diferença para o consumidor residencial no horário de ponta – 4x mais – é muito maior do que a redução esperada para o horário fora de ponta – o que se ouve nos bastidores é que ficará ligeiramente abaixo do que é hoje, será? A extinção da modalidade convencional forçará para o comércio a modalidade horossazonal que poderá onerar para essa classe o valor pago pela energia, já que nem todos poderão fechar no horário de ponta; como a energia é um insumo para o setor, as chances de haver repasse desse aumento para o valor final da mercadoria são enormes… quem paga a conta?
E os medidores que farão a medição desses postos tarifários no consumidor residencial? Quem pagará por eles? E a discussão do Smart Grid?
Ainda há muito o que se fazer e certamente os conselhos de consumidores estão prontos para o papel que lhes cabe: informar e alertar a sociedade sobre as mudanças que ocorrem e, principalmente, auxiliar na defesa do uso racional de energia elétrica para que as mudanças de fato tragam benefícios !